segunda-feira, 19 de julho de 2010

High Violet - The National

A banda americana The National lançou o sucessor do aclamado álbum Boxer esse ano, em maio, após o mesmo ter vazado na internet, algo aliás, normal atualmente. High Violet marca a evolução de uma banda que começara a se afirmar em Alligator (anterior ao Boxer) e melhorou consistentemente no Boxer, que a meu ver, ficará marcado como o grande clássico deles.

Em High Violet, ocorre uma continuação de temas tantos em relação a música em si quanto em relação as letras. As guitarras secas, o baixo direto e o piano proeminente continuam presente, os arranjos de cordas e de metais também aparecem bastante, (de uma maneira até mais contundente que nos outros álbuns da banda), a bateria direta e o vocal barítono de Berninger que lembra Ian Curtis (aliás, qual banda de rock cujo vocalista tem a voz de barítono pós anos 80 não remete a Joy Division) também são elementos essenciais para a sonoridade do The National. Tudo isso, produzido pela própria banda com auxílio de Peter Katis fazem com que as músicas do The National tenham uma personalidade marcante, algo difícil de se encontrar em bandas de rock atuais, diga-se de passagem. E ao contrário de seus antecessores, High Violet parece um álbum mais organizado e menos ansioso, um tanto mais calmo e mais intimista, a meu ver.

Quanto as letras, continuam com a melancolia que marcou a banda e seus trabalhos anteriores; a dor de cotovelo e a solidão em meio a cidade grande se fazem perceber de uma maneira bastante contundente porém singela em alguns momentos, como em Little Faith, que diz: Awesome prince, get your sleep/Lose your heart in history/Make us laugh or nothing will/I set a fire just to see what it kills. Referências a Nova York são muitas e podem ser encontradas em Anyone's Ghost: The Manhattan valleys of the dead ou na ou na mesma Little Faith. De uma maneira geral, em relação ao trabalho anterior, continua com o mesmo pessimismo, como em Sorrow: Sorrow found me when I was young, Sorrow waited, sorrow won. High Violet marca uma faceta de Berninger como poeta difícil de ser encontrada em poucos compositores atuais; o eu-lírico da maioria de suas composições se concentra em pessoas comuns e em seus problemas cotidianos, como em Bloodbuzz Ohio: "I still owe money/ To the money/ To the money I owe". As letras do The National assim como sua música são bastante intimistas e focadas em situações mais comuns; sofrimentos e sentimentos que a maioria de nós entre 20/30 começando nossas vidas adultas costumamos ter. A confusão e a raiva, são encontrados com clareza em High Violet e Berninger faz com que tais sentimentos sejam facilmente identificáveis.

Portanto, High Violet marca a evolução de uma banda que já estava consolidada dentro do cenário alternativo e consegue surpreender mesmo sem sair do que era esperado de sua música por seus fãs, lançando a meu ver, até agora, o melhor álbum do ano.

Nota: 9/10

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